Uma água aparentemente limpa nem sempre é uma água segura para consumo humano.
Em muitas habitações, sobretudo fora dos grandes centros urbanos, a água utilizada no dia a dia tem origem em poços, furos ou nascentes particulares.
É uma realidade que atravessa gerações. Há famílias que utilizam a mesma captação há décadas e que, naturalmente, confiam na qualidade da sua água.
Mas será que uma água que sempre pareceu boa continua a ser adequada para consumo humano?
O que os nossos olhos não conseguem ver
Quando observamos um copo de água límpida, temos tendência a associar a sua transparência à qualidade.
No entanto, a aparência não permite identificar a presença de determinados microrganismos ou substâncias químicas.
Uma água aparentemente limpa pode apresentar contaminação microbiológica, nomeadamente por bactérias como a Escherichia coli, cuja presença constitui um indicador importante de contaminação fecal.
Por isso, a análise laboratorial é o primeiro passo para conhecer as características da água que utilizamos.
Fiz uma análise e apareceram valores a vermelho. Devo preocupar-me?
Os laboratórios apresentam frequentemente a negrito ou com destaque os resultados que não cumprem os valores estabelecidos na legislação.
É natural que essa informação provoque preocupação.
Mas é importante compreender que nem todos os parâmetros têm o mesmo significado nem representam o mesmo nível de risco.
Alguns podem indicar características naturais da água. Outros podem revelar alterações que exigem atenção ou representar riscos para a saúde afinal no fundo foi essa preocupação que levou a execução da análise, mas e depois?
Em Portugal, o Decreto-Lei n.º 69/2023 estabelece o enquadramento legal relativo à qualidade da água destinada ao consumo humano.
A interpretação de uma análise deve considerar o conjunto dos resultados, a origem da água e a utilização que lhe será dada.
Uma água com problemas pode ser tratada?
Em muitos casos, sim.
Existem tecnologias capazes de corrigir determinadas características da água, desde sistemas de filtração até tratamentos específicos para remoção de substâncias ou desinfeção microbiológica, que podem ser conhecidos.
Por exemplo, a radiação ultravioleta (UV) pode ser utilizada para inativar microrganismos, desde que o equipamento seja corretamente dimensionado e a água apresente condições adequadas para esse tratamento.
Contudo, não existe um equipamento universal que resolva todos os problemas da água.
Um sistema UV não remove, por exemplo, nitratos ou outros contaminantes químicos dissolvidos.
É precisamente por isso que a escolha do tratamento deve começar pela interpretação da análise, e não pela escolha de um equipamento.
E depois de instalar o tratamento?
O trabalho não termina necessariamente com a instalação.
É importante verificar se o sistema está a produzir os resultados pretendidos, através de novas análises adequadas ao problema identificado, depois de concluída a instalação.
A manutenção periódica também é essencial para conservar a eficácia do tratamento.
Uma instalação corretamente concebida, acompanhada e mantida pode contribuir para uma utilização mais segura e confortável da água.
Conhecer a água é o primeiro passo
Se utiliza água de um poço, furo ou nascente, não espere que ela apresente alterações de cor, cheiro, sabor, ou algum problema na saúde dos utentes para se interessar pela sua qualidade.
Uma análise laboratorial adequada permite conhecer melhor a água e identificar eventuais necessidades de tratamento.
E se já recebeu um relatório que não consegue interpretar, procure aconselhamento técnico antes de adquirir qualquer equipamento.
A água merece ser conhecida antes de ser tratada.
SPA — Água & Energia
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